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O Rio Grande do Norte vive situação pior que a primeira onda da Covid-19 e um pré-colapso no sistema de assistência aos pacientes, segundo afirmam o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, e pesquisadores da UFRN.

Em menos de 5 meses, o estado registrou mais mortes por Covid-19 em 2021 do que em todo o ano de 2020. Ao mesmo tempo, a quantidade de pessoas vacinadas com as duas doses de vacinas ainda representa menos de 10% da população. Mesmo assim, as medidas restritivas foram flexibilizadas.

Com ocupação de leitos próximo de 100%, fila de espera com mais de 80 pacientes e cerca de mil novos casos por dia, Cipriano afirma que a capacidade de ampliação do sistema de saúde está praticamente esgotada, por causa das limitações de pessoal e de insumos, como kits intubação, por exemplo. O secretário voltou a defender medidas de restrições.

"Nós estamos já no limite hoje. Porque se nós temos quase cem pacientes em filas de espera, não precisa esperar junho, a gente já está em uma situação de saturação, de quase colapso. Isso exige medidas desde já, como a gente vem alertando e recomendando já há algumas semanas", afirmou em entrevista à Inter TV Cabugi.

"Não temos possibilidade de abertura de novos leitos porque isso envolve equipamentos, insumos médicos, pessoal. Nós estamos no limite. A alternativa que nós temos é evitar a procura de leitos fazendo restrição de circulação, usando medidas de proteção, intensificando as ações de vigilância e controle de isolamento dos sintomáticos para que a doença diminua o seu contágio", reforçou o secretário.

Como medida, ele afirma que o governo vem realizando a regionalização de decretos restritivos, a partir da própria conscientização dos prefeitos, mas que precisa do engajamento da sociedade.

Um decreto com medidas mais restritivas foi publicado semana passada para o Alto Oeste. Nesta semana, o estado discute decreto para o Vale do Açu e região Central. Mas o secretário afirma que nem mesmo na região metropolitana de Natal a situação está tranquila.

Para o pesquisador Rodrigo Silva, do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais/UFRN), do ponto de vista dos dados a situação em 2021 é pior que em 2020 por dois fatores: segundo ele, as pessoas deixaram de se preocupar com a doença e os próprios decretos governamentais flexibilizaram em um momento de alta de casos.

"Apesar de parecer que está muito mais tranquilo, fazem quase 90 dias que a gente tem vivido com mais de mil casos por dia, enquanto neste período do ano passado, o máximo que a gente teve ali, girou na média de 900 casos por dia, e foi um período muito mais rápido. A gente teve uma subida muito rápida em 2020, atingindo o pico no início de junho e uma queda também um pouco acentuada, entrando numa certa normalidade no início de agosto. Em 2021, a gente tem vivido desde o final de fevereiro com mais de mil casos por dia, ocupação nas UTIs acima de 90% também. Então, hoje, o cenário está muito mais crítico, na verdade", considerou.

Para o pesquisador, diante de um "platô", com tantos casos em um período tão extenso, não é possível dizer se o pior momento da pandemia neste ano já passou ou não.

O temor de médicos epidemiologistas como Ion de Andrade, da UFRN, é que o estado volte a ter casos mais elevados no mês de junho, como ocorreu em 2020.

Para ele, o estado vive um cenário totalmente novo na pandemia, porque há variáveis positivas, como a vacinação e as medidas de prevenção, que já são de conhecimento da população. Ao mesmo tempo, também houve a flexibilização das medidas de prevenção por parte das autoridades e da própria sociedade.

Dessa forma, ele afirma que não é possível travar um prognóstico sobre o andamento da pandemia nos próximos meses.

"Hoje temos leitos completamente exauridos e eles são muito mais numerosos que no ano passado. Estamos com 400 leitos, o que é uma estrutura extremamente robusta, liberando cerca de 40 a 60 leitos por dia, para internamento. E mesmo assim, a demanda de internamentos, principalmente em leitos críticos tem se mantido num patamar que impede o internamento de todos. Então, a cada dia nós temos visto um serviço, tem um número entre 10 e 20 pacientes novos em fila", considerou.

"Isso é extremamente preocupante por que mesmo que a pandemia não piore, se mantiver o fluxo atual de casos novos, do internamento, nós teremos a manutenção de uma situação como essa, de 10 a 20 pacientes novos em fila. E quando é que isso termina? Não sabemos. Então, isso é muito preocupante, porque se as condições se mantiverem como estão até junho e julho nós teremos aí uma uma crise assistencial que não vimos ano passado", acrescentou.

G1/RN


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