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O jornal francês Le Monde publicou no domingo (11) uma longa reportagem, em que afirma que houve influência do governo dos Estados Unidos na criação da Operação Lava Jato, com conexão com ex-juiz Sergio Moro, um dos responsáveis por julgar os processos. No texto, o jornal diz que a força-tarefa serviu a "vários interesses, mas não à democracia."

Para sustentar a teoria, o jornal volta ao período da gestão de George W. Bush, que governou os Estados Unidos entre janeiro de 2001 e janeiro de 2009. Segundo o Le Monde, a administração do então presidente norte-americano buscou "aumentar a ação antiterrorista de Brasília" e tentou criar uma "uma rede de especialistas locais, capazes de defender as posições americanas 'sem parecerem joguetes' de Washington". O termo, segundo o jornal, foi utilizado pelo "embaixador Clifford Sobel em um telegrama diplomático americano."

Na sequência, o texto diz que Moro "estava colaborando ativamente com as autoridades dos Estados Unidos no caso Banestado". E que, então, foi "abordado para participar do Programa de Visitantes Internacionais do Departamento de Estado". "Ele aceita. Uma viagem foi organizada para os Estados Unidos em 2007, durante a qual ele fez uma série de contatos dentro do FBI, do DoJ [Departamento de Justiça] e do Departamento de Estado."

A reportagem do Le Monde não indica se ouviu Moro nem se pediu seu posicionamento a respeito das afirmações feitas a respeito dele. O UOL procurou a assessoria do ex-juiz, mas ele ainda não se manifestou sobre a reportagem do veículo francês.

Mais adiante, o texto diz que Moro participou, em novembro de 2009, de um evento ligado à Polícia Federal em Fortaleza, que também recebeu Karine Moreno-Taxman, uma procuradora dos Estados Unidos especializada na luta contra a lavagem de dinheiro e o terrorismo.

Em seu discurso, ela disse que, "em caso de corrupção, você deve sistematicamente e constantemente ir atrás do 'rei' para derrubá-lo". "Para que o judiciário condene alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa", ela disse, segundo o jornal. "A sociedade deve sentir que esta pessoa realmente abusou de sua posição e exigir sua condenação".

O jornal lembra que, em nenhum momento, o nome de Lula —cujo governo promoveu o esquema do "mensalão"— foi citado. "Mesmo que ele esteja na mente de todos, ninguém imagina que ele se tornará o 'rei' mencionado por Moreno-Taxman. No entanto, é isso que vai acontecer", pressupõe o Le Monde.

No início do texto, o jornal diz acreditar que a Lava Jato estava obcecada em bloquear o PT. O Le Monde indicou que, por meses, fez "investigações, entrevistas e pesquisas" para entender os acontecimentos envolvendo o Brasil e a Lava Jato.

Já no governo de Barack Obama, pontua o Le Monde, os Estados Unidos teriam enviado a Curitiba, em outubro de 2015, membros de organizações do país, como o FBI, a polícia federal norte-americana, para receber "explicações sobre os procedimentos em andamento". O jornal falou de um acerto entre a força-tarefa da Lava Jato e autoridades americanas. O MPF (Ministério Público Federal) não foi ouvido para dar seu posicionamento no jornal francês.

Ao citar as mensagens vazadas a partir de reportagens do site The Intercept Brasil, o Le Monde ainda faz uma inferência sobre Moro. Por um comunicado à imprensa, o jornal diz, é informado que o ex-juiz então ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (sem partido), visitou os Estados Unidos entre 15 e 19 de julho de 2019. "Ele aproveitou a visita para consultar seus homólogos?", sugere o veículo de comunicação francês.

O jornal lembra que, após deixar o governo Bolsonaro, Moro integrou-se à consultoria Alvarez & Marsal, que tem sede nos Estados Unidos, perto da Casa Branca. "O anúncio chega em novembro de 2020, durante as eleições municipais no Brasil. Ficamos sabendo que o ex-juizinho de Curitiba foi recrutado pelo escritório Alvarez & Marsal", indica o Le Monde.

UOL



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