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A Justiça Militar prendeu preventivamente na 5ª feira (18.mar.2021) 1 tenente-coronel e 2 sargentos envolvidos no caso de apreensão de 39 quilos de cocaína em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), em junho de 2019.

O MPM (Ministério Público Militar) informou que a mulher do sargento Manoel Silva Rodrigues também foi presa. O militar foi detido logo depois da apreensão da droga, na Espanha.

Rodrigues transportou a droga em um avião que integrava a comitiva do presidente Jair Bolsonaro, que seguiria viagem para o Japão. O destino final da droga era a Suíça, de acordo com o sargento. O papel do militar era entregar o contrabando para um desconhecido na Espanha, onde o entorpecente foi encontrado.

Durante a ação de 5ª feira (18.mar), foram apreendidos computadores, celulares e documentos dos militares presos e da atual e da ex-mulher de Manoel Silva Rodrigues.

Segundo o MPM, a Justiça Militar desarquivou o inquérito policial militar sobre o caso, “em razão de novas provas surgidas a partir de quebras de sigilo telefônico e telemático”. As informações “revelam o provável envolvimento de outros militares da Aeronáutica e civis em esquema de tráfico ilícito de entorpecentes”.

O caso é investigado há quase 2 anos tanto na Justiça Militar quanto na Federal comum. Nenhuma das investigações conseguiu, de acordo com informações noticiadas até agora, indicar quem forneceu a droga e se houve envolvimento de membros da alta cúpula do governo ou das Forças Armadas.

Segundo o G1, 2 dos militares presos nessa 5ª (18.mar) estavam lotados no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) quando uma organização criminosa começou a usar aeronaves oficiais para transportar drogas. Depois da apreensão na Espanha, ambos foram exonerados.

O promotor Enilson Pires, do MPM, declarou que o sargento Márcio Gonçalves da Silva, “seria o responsável pela escala dos comissários na “Presidência””. Com isso, ele podia controlar o destino das aeronaves.

Depoimentos colhidos pelo promotor mostram que o sargento “começou a apresentar uma situação financeira diferenciada”. Com remuneração no patamar de R$ 4.000 mensais, Márcio comprou 2 carros de luxo, das marcas Mercedes-Benz e BMW.

Outro preso, o tenente-coronel Alexandre Piovesan, era parte do GTE (Grupo de Transporte Especial) da FAB. A unidade, segundo o MPM, era “responsável pelo transporte aéreo do presidente da República, ministros de Estado, secretários da Presidência da República, e autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário, bem como o Alto-Comando da Aeronáutica, sendo o segundo mais antigo da unidade”.

O MPM diz que Piovesan dificultou a investigação ao apagar conversas suspeitas em seu telefone. Ele era próximo de Manoel Silva Rodrigues e chegou a se encontrar com a mulher do sargento depois da apreensão na Espanha.

Segundo o promotor, Piovesan e os demais presos demonstraram “desfaçatez, desinibição, audácia, indisciplina e deslealdade militar para utilizarem-se de viagens oficiais do primeiro, em avião da Força Aérea Brasileira, cujo voo tinha em sua tripulação parte da comitiva de duas das mais altas autoridades públicas do país (presidente da República e presidente da Câmara dos Deputados) para transportar cocaína do Brasil para a Europa”.

O G1 entrou em contato com a GSI e fez uma série de questionamentos. Em nota, o órgão respondeu: “O Inquérito Policial Militar sobre esse voo de apoio à Comitiva Presidencial foi instaurado pela FAB. Em relação aos demais tópicos da sua demanda, o GSI deixa de se manifestar por tratar-se de temas sob apreciação da Justiça Militar e do Ministério Público Militar”.

Poder 360



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