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Por Fátima Bezerra*

Esta sexta-feira teve a marca da dor de um ano do primeiro óbito por Covid no Brasil e do primeiro caso de Covid diagnosticado em nosso Estado. Um ano da mais grave crise sanitária da humanidade em mais de 100 anos. De lá para cá já são mais de 2,6 milhões de vidas perdidas em todo o mundo, mais de 270 mil mortes no Brasil e quase 4 mil famílias enlutadas no Rio Grande do Norte.

Somos o 2º país em número absoluto de mortes e atualmente nos tornamos a nação onde mais pessoas se infectam por dia e também onde mais a infecção mata. Entre fevereiro e março, no RN, tivemos um aumento de 77% nos pedidos de internação por Covid, o que representa 5 pedidos a cada hora. Enquanto o restante do mundo vê agora um franco declínio de mortes, nosso país está em franca ascensão.

Temos hoje, no SUS RN, 689 leitos covid-19, sendo 334 de UTI. Abrimos nos últimos dias mais 54 leitos e vamos abrir nos próximos dias mais 111, sendo 86 leitos de UTI e 25 clínicos. Contratamos mais de 4.100 profissionais da saúde para atuação frente à pandemia. Trata-se de uma rede de leitos que nosso Estado jamais teve em toda a sua história. Mas, lamentavelmente, abrir leitos não basta.

É indescritível a dor e a angustia que sentimos frente a tantas partidas. São vidas humanas sendo ceifadas sem que sequer o adeus da família seja possível. É um luto repleto de dor e de medo. Vimos, em fato inédito, estados prestarem solidariedade aos irmãos amazonenses; o interior do RN socorrer pacientes da capital e aliviar dor do colapso da região mais populosa do estado Hoje, estado nenhum apresenta condições de socorrer outro ente federado. Todos estão em colapso.

Enquanto o mundo controla a pandemia com isolamento e vacinas, o Brasil enfrenta seu pior momento, com mais de 2 mil mortes diárias. Isso não pode ser naturalizado. A naturalização da morte significaria que, além de vidas humanas, a pandemia teria ceifado a nossa própria humanidade. Nosso chamado ao longo de todo esse tempo tem sido à união, à responsabilidade, ao engajamento coletivo em defesa da vida, da saúde e da ciência.

Quando adotamos as medidas restritivas de distanciamento social, a exemplo do que tem dado certo no mundo e do que recomenda o comitê científico, não é porque não estejamos preocupados com as demais dimensões da crise. É, sim, porque não cabe a um governante negociar com a vida das pessoas. Nossa preocupação com a economia e com a sobrevivência do povo do Rio Grande do Norte está expressa no conjunto de medidas que adotamos para mitigar os impactos sócio-econômicos da pandemia, bem como em nossa luta por mais e mais vacina.

Hoje mais uma luz se abriu. Nós, governadores do Nordeste, dialogamos neste sábado (13) com o ministro Eduardo Pazuello para dar continuidade à reunião que tivemos ontem com o Fundo soberano Russo, responsável pela vacina Sputnik. Foi uma reunião de muitos progressos nas tratativas que foram iniciadas e que já estavam muito avançadas via Consórcio Nordeste – mas que agora obtiveram a concordância do ministro para que o Governo Federal ingresse como interveniente na aquisição dessas vacinas.

Em espírito colaborativo, e em defesa do SUS, definimos que, dentro da sistemática do Plano Nacional de Imunização (PNI), caberá à União – uma vez que essa é uma obrigação federal – toda a logística de recebimento, transporte, armazenamento e distribuição das vacinas que protegerão pelo menos 30% dos nordestinos. Esse avanço liderado pelo Consórcio do Nordeste não é pouca coisa. Porque significa que estamos trazendo para dentro do PNI mais esperança, mais alternativas de avanços na imunização da nossa população. Não tenho dúvida de que será exemplo para o país.

É isso. Somente juntos e unidos vamos vencer a pandemia e voltar a sorrir. Não descansarei enquanto todo o povo do Rio Grande do Norte não estiver vacinado. Não sossegarei enquanto pacientes estiverem à espera de leitos de UTI. Não terei paz enquanto nosso povo chora a partida dos seus entes queridos.

*Fátima Bezerra é Governadora do Estado do Rio Grande do Norte


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