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Na segunda-feira (8) a reportagem do Mossoró Hoje visitou as instalações do Abatedouro Frigorífico Industrial de Mossoró (AFIM). Caminhando pelo local, o cenário encontrado é desolador. Maquinário sucateado, corroído pela ferrugem, e estrutura, literalmente caindo aos pedaços. Alas inteiras abandonadas há anos, inclusive enormes câmaras frias.

De acordo com o atual diretor administrativo, Alexandro Valentim, mais conhecido como Alex do Frango, todos esses problemas foram deixados por gestões anteriores que, ao longo do anos, permitiram que o AFIM ficasse abandonado e perdesse parte de suas funções.

Atualmente, o abatedouro conta com uma dívida que supera os R$ 15 milhões. Entre os credores estão a Receita Federal, que inclusive já penhorou parte do maquinário do local; a própria prefeitura de Mossoró, com dívidas relacionadas a impostos não quitados; dívidas trabalhistas e, também, com a Caern.

“Na cidade de Mossoró, na própria prefeitura, existem dívidas que já prescreveram e que os antigos administradores, sequer, se deram ao trabalho de pedir para prescrever. O mesmo acontece com a Receita Federal, dívidas que já podiam ter sido abatidas, mas que ninguém se preocupou em tentar resolver. Então isso não era uma administração, era um faz de conta”, explicou Alex.

Somente com a folha de pessoal, de acordo com Alex, o prejuízo mensal do abatedouro gira em torno de R$ 250 mil.

Hoje, o AFIM conta com um total de 86 funcionários, quando apenas 56 deles são realmente necessários para o andamento dos serviços que são realizados atualmente. Ou seja, o local vinha sendo utilizado para a prática do que se conhece por “cabide de empregos”.

“Hoje, no AFIM, temos 86 funcionários entre efetivos, contratados e os funcionários ‘soltos’ que tem aqui. Aqui tem funcionário ‘solto’, você tem noção do que é isso? Inclusive nós vamos fazer acordo de demissão com eles, porque não tem como trabalhar desse jeito. Como é que você trabalha sem legalização, sem carteira assinada, sem nada?”, explicou.

O gestor lembra que o abatedouro tem um grande potencial para geração de emprego e renda para a população mossoroense, mas não está fazendo seu papel.

“Nós encontramos um cenário horrível, nunca pensei em encontrar um canto assim, que trabalhe com alimento, que leva o alimento para a mesa das pessoas e a gente tivesse encontrando nessa real situação, um museu. Nós vimos aqui um potencial enorme para geração de emprego e renda, um potencial enorme para levar um alimento de qualidade para os consumidores na cidade de Mossoró e, de fato, o AFIM não está fazendo seu papel”, diz.

AMANTINO CÂMARA E APAE

Ao receber a missão de administrar o AFIM e se situar sobre o regimento interno, Alex também descobriu que o abrigo Amantino Câmara e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Mossoró (APAE) têm direito a 1%, cada, dos lucros obtidos no local.

Como a empresa vem operando no vermelho há anos, essas instituições também deixam de receber uma importante quantia que seria fundamental para a manutenção de seus serviços e a prestação de assistência à população de Mossoró. Ao contrário, passam a ter prejuízo junto com a empresa.

“Como nós pegamos a gestão e como nós fizemos tudo com transparência, nós trouxemos essas instituições para perto, para mostrar a realidade do AFIM e mostrar que nós vamos trabalhar para que, de fato, o Amantino Câmara e a Apae possam ter esses 1% de lucro e não prejuízo”, contou.

É POSSÍVEL RECUPERAR

Apesar de todos os problemas, Alex Valentim acredita que é possível mudar essa realidade e fazer com o que o AFIM volte a exercer a sua função.

Atualmente o abatedouro atua apenas no abate de caprinos, bovinos e suínos, cujas carnes, em 90% dos casos, são destinadas ao abastecimento do mercado local.

A ideia, segundo explicou o gestor, é ampliar os serviços realizados no local, como a volta da produção de charque, salsicha, linguiça, mortadela, além de farinha de osso.

Esta última será de grande importância para a cidade, pois atualmente, quem precisa dessa farinha em Mossoró, principalmente o setor de granjas, precisa comprá-la fora.

Para a realização desse trabalho será necessário adquirir novo maquinário, visto que além de inutilizados, os que ainda existem no local estão penhorados por dívidas, como já explicado anteriormente.

Alex conta que firmou uma parceria com o Sebrae, que já está fazendo um levantamento para realizar a consultoria junto ao abatedouro para a realização dessas atividades.

Explica também que uma outra ideia é a criação de um consórcio juntos às cidade da região, para que aquelas que não possuem abatedouro possam enviar seus animais para serem abatidos em Mossoró, fazendo com que estas carnes passem por um processo de abate de qualidade e já saiam daqui com tudo legalizado.

“Nós também vamos trabalhar para colocar o AFIM na rota do boi, vamos trabalhar para fazer o consórcio, a integração, de Mossoró junto com as cidades da circunvizinhança, para que esse abates possam ser feitos aqui na cidade de Mossoró, para que nós possamos aí dar uma vida saudável ao AFIM”, explica.

Com trabalho duro e o apoio da prefeitura de Mossoró, o gestor acredita que, em um ano, é possível reverter a atual situação do abatedouro e, em breve, fazer com que ele volte a dar lucro ao município.

Mossoró Hoje


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