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A força-tarefa da operação Lava Jato no Paraná “deixou de existir” na 2ª feira (1º.fev.2021). O anúncio foi feito pelo MPF (Ministério Público Federal) na manhã desta 4ª feira (3.fev). A força-tarefa foi incorporada ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPF.

A PGR (Procuradoria Geral da República) nomeou 4 procuradores da força-tarefa da Lava Jato paranaense no Gaeco. Outros 10 membros seguem designados para atuação em casos específicos ou de forma eventual até 1º de outubro de 2021. Eles trabalharão sem dedicação exclusiva aos processos.

O anúncio ocorre na mesma semana em que o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o sigilo das conversas entre procuradores da operação Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro obtidas na na operação Spoofing.

Alessandro José de Oliveira, coordenador da força-tarefa, vai assumir o núcleo da Lava Jato no Gaeco. Ele disse que a operação trouxe “avanços” no combate à corrupção no Brasil.

“O legado da força-tarefa da Lava Jato é inegável e louvável considerando os avanços que tivemos em discutir temas tão importantes e caros à sociedade brasileira”, afirmou, em nota.

A equipe da operação Lava Jato no Paraná chegou a ganhar o apelido de “República de Curitiba” pelo papel que exerceu no Brasil a partir de 2014, ano em que o grupo foi constituído.

Irregularidades

Em junho de 2019, o site Intercept passou a divulgar várias denúncias de irregularidades da Operação Lava Jato. Os diálogos apontaram que Sérgio Moro, na condição de juiz, agia como um assistente de acusação e chegou, por exemplo, a recomendar a inversão da ordem das fases da operação. 

O então magistrado também disse ao MPF-PR que faltava informação na denúncia de um réu - Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobrás para a construção de plataformas de petróleo.

Moro questionou, ainda, a capacidade de a procuradora Laura Tessler participar de audiências que envolvessem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outra irregularidade apontou que os procuradores Deltan Dallagnol e Vladimir Aras não entregaram nomes de pelo menos 17 americanos que estiveram em Curitiba (PR), no ano de 2015, sem o conhecimento do Ministério da Justiça, uma demonstração da influência dos Estados Unidos sobre a Lava Jato.

Em outra conduta considerada ilegal, Dallagnol recebeu, em 2016, o valor de R$ 33 mil de uma palestra da empresa de informática Neoway, delatada por um lobista na Lava Jato. Em vez de ser punida, a empresa ofereceu tecnologia à força-tarefa.

São várias condutas irregulares que continuam sendo reveladas, agora pela defesa do ex-presidente Lula, após liberação do Supremo Tribunal Federal. 

Desgaste

Em 2020, a força-tarefa paranaense, teve um ano de derrotas, redução no seu protagonismo e perda de intensidade.

Além dos atritos com a PGR (Procuradoria Geral da República) e da saída do ex-coordenador Deltan Dallagnol, a equipe teve o ritmo de trabalho reduzido. O número de denúncias oferecidas foi reduzido à praticamente a metade em relação a 2019. Foram apresentadas 15. No ano anterior, foram 29.

Em janeiro deste ano, a Lava Jato deflagrou sua última fase, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão para aprofundar investigações sobre possíveis atos de lavagens de dinheiro relacionados a crimes praticados na Petrobras e no Transpetro. Filhos do ex-ministro Edison Lobão (MDB) foram alvo de busca e apreensão. Mais de 100 obras de arte foram apreendidas.

Poder 360 e Brasil 247


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