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A Presidência da República contratou sem licitação uma empresa cujo dono já afirmou em depoimento ser "sócio oculto" do site Terça Livre, que apoia o governo do presidente Jair Bolsonaro.

O contrato foi publicado no "Diário Oficial da União" e prevê o pagamento de R$ 360 mil à empresa AYR - Ayres Serviços de Informação por "serviços técnicos de manutenção da plataforma Pátria Voluntária".

Segundo a Receita Federal, o sócio administrador da empresa é Bruno Ricardo Costa Ayres. No ano passado, em depoimento à Polícia Federal, Ayres afirmou ser "sócio oculto" do Terça Livre (leia detalhes mais abaixo).

O G1 procurou a Presidência da República, a AYR e o Terça Livre e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.

O contrato

A contratação da AYR foi feita sem licitação com base no artigo da Lei de Licitações sobre "inviabilidade de competição".

Essa justificativa é aplicada para compra de produtos exclusivos, contratação de serviços técnicos "de natureza singular" ou contratações no setor artístico.

O extrato publicado no "Diário Oficial" afirma que a contratação da AYR é "imprescindível para a continuidade das atividades integradas entre governo e sociedade civil."

Segundo documentos do programa Pátria Voluntária, a empresa, com nome fantasia V2V.net, já é responsável pela plataforma.

'Sócio oculto'

Em outubro do ano passado, Bruno Ayres foi ouvido pela Polícia Federal no inquérito que investiga a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

O depoimento do empresário foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo". À PF, Bruno informou ser "sócio oculto" da empresa Terça Livre, responsável pelo canal Terça Livre.

O dono do canal, Allan dos Santos, é alvo de dois inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal e já foi alvo de operações da Polícia Federal.

Um dos inquéritos apura ameaças a ministros do tribunal e a disseminação de conteúdo falso na internet, as chamadas fake news. O outro apura o financiamento de atos antidemocráticos. Nos dois casos, Allan dos Santos nega envolvimento em irregularidades.

A ligação com Santos foi abordada no depoimento à PF. Ayres, então, disse que atua como consultor do site "em questões estratégicas" e que recebe "relatórios de gestão sobre o andamento do negócio".

No depoimento, o empresário negou que a empresa V2V tenha "relação comercial ou financeira com a empresa Terça Livre" e também negou que "a empresa Terça Livre e/ou seus sócios utilizaram empresas interpostas para firmar contrato com entes públicos".

G1



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