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Em documento, Assis Silva diz que a decisão de deixar a função é de caráter "irrevogável" e "irretratável" e de cunho pessoal. Apesar da solicitação, promotor de Justiça segue com investigação de 'furada de fila'.



Secretário Assis Maria Silva e a esposa — Foto: Reprodução/Facebook

Secretário municipal de Saúde de Pires do Rio, no sudeste do estado, Assis Silva Filho pediu exoneração do cargo neste domingo (24). A solicitação acontece dois dias após ele pedir desculpas em uma rede social por ter vacinado a esposa - que não pertence ao grupo prioritário - na primeira etapa da campanha de imunização contra a Covid-19.

“[A vacinação dela] foi com intuito de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida. Sou capaz de dar minha própria vida por ela”, afirmou em vídeo publicado na internet.

No pedido de exoneração, Assis Silva diz que a decisão de deixar o cargo é de caráter "irrevogável" e "irretratável" e de cunho pessoal. A reportagem não conseguiu contato com Assis Silva.O nome da esposa dele não foi divulgado.

A prefeita de Pires do Rio, Cida Tomazini, informou que acatou o pedido de exoneração do secretário.

O pedido de exoneração vem também dois dias depois de a Justiça de Goiás conceder liminar para tirar Assis Silva do cargo por 60 dias, enquanto o Ministério Público (MP-GO) investiga a "furada de fila" para aplicar a vacina na esposa. O promotor de Justiça de Pires do Rio, Marcelo Borges Amaral, diz que a investigação que corre dentro do órgão continua.

"A investigação do MP prossegue normalmente. A exoneração não interfere em nada na apuração de crime", explica.

Segundo planilha da Secretaria Estadual de Saúde, Pires do Rio recebeu 280 doses da Coronavac. A reportagem não conseguiu confirmar se o secretário também se imunizou.

Durante a transmissão ao vivo em uma rede social, Assis Silva informou que a esposa dele tem mais de 70 anos e o acompanha no trabalho, visitando muitas vezes as unidades de saúde do município. No entanto, não está prevista a vacinação de pessoas idosas que não estejam institucionalizadas nesta primeira fase do programa de imunização da Covid-19.


Grupos prioritários

Goiás recebeu 183.030 doses da vacina para imunizar 87.127 pessoas do grupo prioritário. Para isso, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) enviou 90.280 doses para todas as cidades.

Segundo diretrizes do Ministério da Saúde (MS), devem ser vacinados contra a Covid-19, com prioridade:


  • Profissionais da saúde;
  • Pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência (institucionalizadas);
  • Pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência e residentes em Residências Inclusivas (institucionalizadas);
  • População indígena vivendo em terras indígenas.


Furada de fila

O MP passou a ter acesso ao cadastro de vacinados para cruzar os dados de quem recebeu a dose da CoronaVac com os nomes de quem está na lista do grupo prioritário nesta primeira etapa, a fim de identificar as "furadas de fila" na campanha de imunização.

Ao menos outras duas cidades goianas registraram casos de “furada de fila”, em que pessoas que não estão nos quatro grupos prioritários são imunizadas: Mineiros e Santa Helena de Goiás, ambas no sudoeste goiano.

A subprocuradora-geral de Justiça do Ministério Público de Goiás, Laura Maria Ferreira, afirmou que o plano de imunização tem que ser cumprido e que, caso contrário, o gestor responsável pela “furada de fila” pode ser punido.

"[São crimes] que podem ser tipificados como abuso de autoridade para o gestor, como a famosa 'carteirada'. Isso não pode acontecer ", disse.

Na quinta-feira (21), a presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Goiás (Cosems), Verônica Savatim, falou sobre o risco de desrespeitar a lista de prioridades. “As doses vieram específicas. [...] O grande risco é você deixar de vacinar aquele grupo que ficou definido e vacinar outros que não estavam pactuados. O profissional de saúde, por exemplo, está muito exposto, independente de onde estiver”, pontuou.

*G1

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