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Começa ainda este ano a tão aguardada fase de pesquisa de campo para a elaboração no novo Atlas Eólico e Solar do RN. Nos próximos 12 meses, o trabalho mapeará os dados de radiação solar e dos ventos em todo o Estado. A publicação estará disponível, salvo imprevistos, no começo de 2022.

Desenvolvido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, o Atlas é um dos xodós do secretário Jaime Calado, que assumiu pessoalmente a coordenação do projeto classificado pelo governo estadual no rol dos “estruturantes”.

A publicação do último mapeamento, que não incluiu o potencial fotovoltaico ou solar, é de 2003 e foi patrocinada pela Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern), em seu programa de Pesquisa e Desenvolvimento, com o suporte na espanhola Iberdrola, controladora da Neoenergia.

Nessa nova edição, o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) firmou um termo de Colaboração entre a Sedec, Fiern e Senai, para atualizar o Atlas Eólico junto com o Atlas Solar do RN, considerando a tendência futura de plataformas híbridas, operando com ambas matrizes energéticas.

Tanto o interesse do governo estadual se justifica. Segundo Hugo Fonseca, coordenador de energia da Sedec, esse mapa atualizado dos potenciais eólicos e solares do RN, da maneira como está sendo projetado, vai abrir possibilidade para atrair novos players dessas indústrias tanto em terra quanto no mar – as plataformas “offshore” -, ainda não construídas no Brasil.

Uma torre de 170 metros – o dobro da média das plataformas eólicas em operação hoje no estado -, para a medição dos ventos em diferentes alturas, será instalada no município de João Câmara, seguindo a tendência atual de plataformas de até 130 metros.

“Até 10 anos atrás, o tamanho médio das torres era de 80 metros e ao capturar a velocidade dos ventos em alturas o dobro disso estaremos abrindo informações relevantes para a entrada de novos investidores do segmento no Rio Grande do Norte”, lembra Hugo Fonseca.

Espaço para esses investimentos há de sobra. Segundo ele, apenas 10% do mercado eólico foi explorado até agora no Rio Grande do Norte nos últimos 18 anos, só com exploração em terra.

“Com 164 parques eólicos em funcionamento e outros 84 já contratados até 2025, os investimentos novos no segmento já somam algo ao redor R$ 3 bilhões, o que justifica toda a prioridade na atualização do Atlas Eólico, agora com o plus do mapeamento solar”, diz Hugo Fonseca.

Antonio Marcos de Medeiros, do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis e responsável pelo projeto de mapeamento eólico e solar, lembra que só por ocasião do primeiro Atlas Eólico do RN, publicado em 2003, foram impulsionados algo ao redor de R$ 16 bilhões em investimentos no estado, resultando em uma potência instalada de mais de 5 GW até 2021.

A expectativa agora, afirma ele, é que o Estado apresente uma potência de mais de 130 GW, impondo-se como a nova fronteira do setor de Energia Elétrica do Brasil.

Já na área solar, o atlas preencherá uma lacuna importante com a divulgação do potencial Fotovoltaico do RN, apresentando as melhores áreas para investimentos dessa fonte energética, tanto em projetos de Geração Distribuída (GD) como de Geração Centralizada (Grandes Usinas).

“Alem disso, os dois atlas poderão contribuir para que os atuais empreendedores do setor energético do RN possam modernizar suas fontes de geração, criando usinas hibridas, aumentando o fator de capacidade das instalações atualmente em operação”.

Para reunir todas as informações sobre a velocidade de vento, posição, sentido, direção, e grau de radiação solar e seus potenciais de exploração, o governo do estado e a Federação da Indústria calcularam desembolsar ao redor de R$ 2,8 milhões.

Safra de vento e de novos investimentos

Todos os anos, nos meses de agosto e setembro, a chamada “safra de ventos” impulsiona a produção de energia eólica do Nordeste, da qual Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí figuram com os maiores produtores, respectivamente com 2.357 MW, 1.717 MW e 1.022 MW. Uma geração suficiente para atender 50 milhões de pessoas.

Nesse período, as rajadas de vento entre 45 a 55km/h entre São Luís (MA) e Natal (RN) e nas áreas do interior do Ceará e de Pernambuco beneficiam os parques eólicos para geração de energia, atingindo recordes inéditos este ano, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS).

Segundo essa fonte, somente na primeira semana de agosto, foi registrada três picos de geração média de energia na região onde estão instalados parques eólicos. O mais recente foi no dia 6 de agosto, quando a força do vento chegou a 9.049 MW médios, força suficiente para abastecer 94,4% da demanda elétrica de nove estados nordestinos.

Segundo dados do (ONS), a energia eólica representa 9,5% da capacidade instalada na matriz elétrica brasileira, ficando atrás da hidrelétrica (69,4%) e térmica (18,2%). Já há revisões de que a representatividade desse tipo de geração deve crescer no país nos próximos anos e atingir, até 2024, 11,4% da matriz.

A Neoenergia, controladora da Cosern, responde por cerca de 5% da geração de energia eólica no Nordeste com 44 parques, sendo 17 em operação nos estados do Rio Grande do Norte, Bahia e Paraíba com capacidade instalada de 516 MW (suficiente para abastecer mais de 1,1 milhão de residências) e outros 27 em construção no Piauí, Paraíba e Bahia.

Contando com os projetos da Bi Energia no Ceará, existem no Brasil atualmente oito projetos em licenciamento no Ibama. A Neoenergia iniciou em janeiro o licenciamento de três novos projetos para a construção de eólicas offshore no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará. Juntos, somam 9 GW de capacidade instalada em 600 aerogeradores – maiores projetos em planejamento no país.

Atrás do RN, os estados que mais concentram capacidade de geração de energia pela força dos ventos são Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Piauí. Segundo o CCEE, os dados ressaltam a predominância do Nordeste e do Sul neste tipo de fonte.

Protocolo do RN abre concorrência com Ceará

No último dia 22 de setembro, a governadora Fátima Bezerra assinou um protocolo de intenções para instalação do primeiro projeto eólico offshore no litoral do Rio Grande do Norte e do Brasil, com a Bi Energia, empresa que lidera um projeto de 624 MW.

Houve o cuidado para não se interferir nas áreas de atuação de comunidades pesqueiras, como a Colônia de Pescadores Z – 36 João Baracho Sobrinho e a Colônia de Pescadores Cajueiro, além de áreas quilombolas.

A Bi Energia , que teve seu projeto offshore rejeitado pelo Ibama no Ceará, tenta viabilizar um caminho no RN. Segundo Hugo Fonseca, da Sedec, era esperado que isso ocorresse, já que o próprio órgão ambiental nunca operou num processo de plataforma em alto mar, o que conduz a um aprendizado de parâmetros até agora desconhecidos.

Hoje, o Brasil possui uma capacidade instalada de 16,0 GW, energia suficiente para abastecer 28,8 milhões residências. Só no Nordeste, é responsável pela geração de 88,88% deste total, produzido por meio de 7.738 aerogeradores em operação.

O Rio Grande do Norte é o campeão nacional na geração de energia eólica e possui atualmente 165 parques com capacidade instalada de 4.526,4 MW, segundo os números da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).




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