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Depois de um mês da saída de Abraham Weintraub, o Ministério da Educação voltou a ter um titular na quinta-feira (16), com a posse do professor e pastor presbiteriano Milton Ribeiro como novo ministro.

Ribeiro falou que pretende "resgatar o respeito pelo professor" e criticou "filosofias e interpretações educacionais equivocadas" que foram, segundo ele, em sentido contrário.

"E agora, o que existe por muitas vezes são episódios de violência de alguns maus alunos contra professores. As mesmas vozes críticas da nossa sociedade devem se posicionar contra esses episódios com a mesma intensidade", argumentou.

O novo ministro não citou nominalmente, mas o educador Paulo Freire, que lastreou boa parte da formação dos atuais acadêmicos da área brasileira, defendia a educação como um diálogo entre professor e aluno, em patamares equivalentes de poder.

Ao mesmo tempo, Ribeiro prometeu "abrir um grande diálogo para ouvir os acadêmicos e os educadores" e tocou nas duas principais feridas levantadas entre a nomeação e a sua posse no cargo.

Ele citou a sua formação religiosa, afirmando que ela não o impedirá de defender a laicidade da escola pública. E comentou falas atribuídas a ele de que defenderia castigos físicos a crianças.

"Jamais falei em violência física na educação escolar e nunca defenderei tal prática, que faz parte de um passado que não queremos de volta", afirmou o novo ministro.

Cerimônia

Ribeiro tomou posse em cerimônia realizada com a participação, via videoconferência, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Bolsonaro segue isolado após seu segundo teste resultar mais uma vez positivo para a Covid-19 e assinou o termo de posse do novo ministro da residência oficial no Palácio do Alvorada.

Bolsonaro citou as suas proximidades com o novo ministro, como a infância no estado de São Paulo no mesmo período e a origem militar. Milton Ribeiro serviu ao Exército, mas não seguiu carreira.

O presidente fez coro à fala do ministro em prol da autoridade dos docentes. "Na nossa época, o professor não só tinha, como exercia a autoridade", disse. O presidente também disse que "tentaram consertar, mas na verdade se equivocaram" nas políticas adotadas.

Jair Bolsonaro ainda disse que ele poderá "escolher pessoas para estar ao seu lado", mas sinalizou que gostaria da manutenção de nomes atualmente no Ministério da Educação. "Grande parte do ministério pensa como você", disse.

Remanescentes dos últimos meses, nomeados ligados à chamada ala ideológica e indicações do Centrão ocupam diversos postos dentro do MEC. Uma das primeiras posições que o novo ministro precisará suprir é a secretaria-executiva, a segunda posição mais importante.

Antonio Paulo Vogel chegou a ser cotado para ser ministro, mas perdeu força quando foi enfatizada a sua atuação na gestão de Fernando Haddad (PT) como prefeito de São Paulo. Com a chegada do ministro Milton Ribeiro, Vogel já definiu a sua saída do Ministério da Educação.

CNN Brasil



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