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O acirramento da crise política e institucional, com atos pró-fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) e em defesa de intervenção militar, começa a dar corpo no Parlamento à ideia de criação de uma ampla frente democrática. Deputados de vários partidos, de diferentes espectros ideológicos, defendem a necessidade de se deixarem de lado as diferenças políticas e de todos se unirem para evitar a implantação de uma ditadura no país, uma ameaça que eles cada vez mais enxergam nos atos do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Embora não esteja participando diretamente das negociações, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já manifestou a deputados sua simpatia pela ideia. Atacado constantemente por Bolsonaro, Maia tem evitado o confronto e pregado o diálogo e o respeito à democracia. Mas não deseja ser o líder do movimento. Parlamentares de diferentes correntes começam a se organizar para discutir a criação de uma frente democrática nos próximos dias. Lideranças do PT, do PSDB e do MDB têm indicado apoio à iniciativa.

O entendimento em comum entre parlamentares de vários partidos ouvidos pelo Congresso em Foco é de que esse tipo de movimento já partiu da sociedade civil, como demonstraram o ato pró-democracia encampado por torcidas organizadas de clubes de futebol e a publicação de manifestos assinados por juristas, políticos, intelectuais e artistas neste fim de semana.

Na Câmara já existem grupos suprapartidários que se reúnem para discutir o aperfeiçoamento da Casa, como o Câmara Viva e o Centro da Convergência Democrática.

Protestos

O fim de semana foi marcado por manifestações. Em cidades como São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte e Porto Alegre, houve atos em defesa da democracia encabeçados por torcidas organizadas de futebol. Na capital paulista o protesto acabou em confronto com a Polícia Militar depois de os manifestantes se encontrarem com apoiadores de Bolsonaro, que também estavam concentrados na Avenida Paulista. O confronto se estendeu pela tarde. PMs utilizaram bombas de efeito moral.

Em Brasília o presidente da República participou de ato contra o Supremo e o Congresso e em favor de seu governo. Faixas com pedidos de intervenção militar e alusão ao golpe de 1964 dividiram espaço com ataques a ministros da corte, considerada agora a grande inimiga pelos bolsonaristas em decorrência de decisões que contrariam Bolsonaro e o andamento do inquérito das fake news. O presidente também cavalgou diante do público.

Bolsonaro sobrevoou a Esplanada para ver o público. No solo, provocou aglomeração e cumprimentou apoiadores sem fazer uso da máscara de proteção, contrariando as recomendações das autoridades sanitárias. Nesse sábado o presidente listou uma série de decisões do Supremo e do Tribunal de Contas da União que o contrariaram. "Tudo aponta para uma crise", resumiu.

Na madrugada de domingo (31) cerca de 30 integrantes do grupo "300 do Brasil", que apoia Bolsonaro e o fechamento do Congresso, marchou com tochas e máscaras em direção ao Supremo, reproduzindo atos praticados pela Ku Klux Klan e neonazistas americanos. Em mensagem enviada a colegas, o ministro Celso de Mello comparou a situação do Brasil com a da Alemanha de Adolf Hitler e conclamou à resistência contra uma "abjeta ditadura".

Na semana passada, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que já chegou a dizer que para fechar o Supremo era necessário apenas um soldado e um cabo, voltou a subir o tom da ameaça. "Essa postura, eu até entendo quem tem uma postura mais moderada, vamos dizer, para não tentar chegar ao momento de ruptura, um momento de cisão ainda maior, um conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos. Mas falando bem abertamente, opinião do Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de 'se', mas de 'quando' isso vai ocorrer", afirmou.

Congresso em Foco



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