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O presidente da República, Jair Bolsonaro disse na manhã deste sábado (6.jun.2020) por meio de sua conta no Twitter que o Ministério da Saúde “adequou” a divulgação dos dados sobre o coronavírus para evitar inconsistências. O boletim, que era divulgado às 17h, passou a sair às 19h e, agora, por nova determinação do presidente, ficou para as 22h. Ele também afirmou que “o acúmulo de dados” não estava retratando o momento do país.

“Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão”, afirmou Bolsonaro no Twitter.

Em seguida, ele criticou a a pasta por “acumular dados”.

“Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica”, declarou o presidente da República.

Ele já havia criticado a divulgação dos novos registros diários, que incluem casos de outros dias. “É para pegar o dado mais consolidado. E tem que divulgar os mortos no dia. Ontem, por exemplo, dois terços dos mortos eram de dias anteriores. Tem que divulgar o do dia“, afirmou o presidente na 6ª feira (5.jun).

Também na 6ª feira, ao ser questionado sobre a mudança de horário da divulgação, o presidente chegou a relacioná-la ao Jornal Nacional, principal produto jornalístico da TV Globo. “Acabou matéria no Jornal Nacional“, disse.

“Ao longo do enfrentamento da doença, a coleta de informações evoluiu com capacitação e serviços laboratoriais. As medidas, assim, permitem obter dados mais precisos sobre cada região”, afirma Jair Bolsonaro.

O presidente continua:

“A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostram as situações como as cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação”.

Os números divulgados diariamente pelo Ministério da Saúde até agora não são as mortes efetivamente ocorridas nas 24h anteriores, mas as confirmadas. Entre 1 paciente morrer e 1 exame atestar que a causa foi a covid-19 podem se passar vários dias.

RECONTAGEM

O próximo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Wizard, disse ao jornal O Globo que haverá uma recontagem no número de mortos. Ele afirma que os dados atuais são “fantasiosos ou manipulados”.

Wizard afirma que há pessoas morrendo por outras causas e os gestores públicos estaduais e municipais registram como mortes por covid-19. Depois, usariam o número como argumento para reivindicar mais recursos.

Especialistas, porém, afirmam que a subnotificação de casos é alta e o número deve ser superior às 35.026 mortes e 645.771 casos confirmados pelas contas do Ministério da Saúde até agora.

DADOS MAIS TARDE

O Ministério da Saúde passou, nos últimos dias, a divulgar os dados de mortes por volta das 22h. Antes, era das 17h às 19h. Bolsonaro disse na 6ª feira (5.jun.2020), na porta do Palácio da Alvorada, que “acabou matéria no Jornal Nacional” com os números. O telejornal é o de maior audiência no país e vai ao ar antes das 22h.

Além disso, o Ministério da Saúde deixou de incluir no boletim em que divulga o número de mortos todos os dias a soma das vítimas do coronavírus. Ainda, a página mantida pela pasta onde era possível acessar dados sobre a doença no Brasil, o Painel Covid, está fora do ar na manhã deste sábado (6.jun.2020).


Bolsonaro minimizou a pandemia em diversas oportunidades. Também é contrário à política de isolamento social, apontada por especialistas como a melhor forma de conter o avanço da doença. Ele quer que as pessoas possam voltar ao trabalho.

Poder 360


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