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A pandemia de covid-19 continua severa também no transporte coletivo. Em Mossoró, o total de passageiros despencou 92,31% no mês passado, ante abril de 2019. Caiu de 223.782 para 17.123. Já a média diária desabou de 7.460 para 570 pessoas. Dessas, quase a metade (42%) usufrui de gratuidade (idoso, estudante e pessoa com deficiência).

O cenário só agrava a crise econômica do setor, o que requer ação urgente para evitar o colapso. A avaliação é do professor Eric Amaral, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), doutor em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O especialista observa que a redução da mobilidade, decretada pelos governos sem contrapartida, afetou quase de morte as empresas de ônibus nas cidades brasileiras.

“O equilíbrio econômico-financeiro, estabelecido em contrato entre prefeituras e empresas de ônibus, foi severamente afetado, e medidas emergenciais para promover o retorno desse equilíbrio devem ser tomadas, imediatamente”, defende.

Agravante

No caso de Mossoró, a alta gratuidade (quase o dobro da média nacional) piora a situação. “Quem está pagando para que outras pessoas andem de ‘graça’ nos ônibus são os próprios usuários. Ou seja, as pessoas mais pobres estão pagando para que idosos, estudantes etc. possam andar de ônibus, não havendo, portanto, nenhuma justiça social”, avalia.

Para haver justiça social, segundo ele, a sociedade como um todo deveria pagar as gratuidades no transporte público. “Mais do que nunca, o pagamento das ‘gratuidades’ pela Prefeitura seria fundamental para que o transporte pudesse sobreviver a esse período excepcional”, diz.

Eric Amaral acrescenta: “Há a necessidade urgente que um subsídio seja feito por parte dos entes públicos e que façam os repasses equivalentes ao número de passageiros transportados gratuitamente”.

Emergência

Segundo ele, assim como Mossoró, todas as outras cidades com transporte público necessitarão de medidas emergenciais dos entes públicos, para evitar o colapso financeiro do serviço e das empresas de ônibus.

“Cabe ao poder público garantir as condições para que o serviço seja prestado. Nesse sentido, faz-se necessário que o ente público restabeleça o equilíbrio econômico-financeiro, o que pode ser feito de várias maneiras. A mais imediata seria o aporte de um subsídio, para que o serviço pudesse ser mantido durante esse período excepcional”, conclui.

Preocupação

Concessionária do transporte coletivo urbano por ônibus em Mossoró, a Cidade do Sol reforça o alerta do especialista e confirma ser real o risco de colapso. “Mossoró precisa de medidas urgentes para desonerar o transporte. Subsídio público e isenção de ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) são fundamentais para isso”, diz a empresa, em nota.


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