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Após a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos, durante uma ação policial em Minessota, uma onda de protestos atingiu diversas regiões dos Estados Unidos (EUA). Floyd morreu após ser algemado e agredido por oficiais, mesmo sem ter apresentado resistência. O vídeo que registra o momento da abordagem viralizou nas redes sociais, causando revolta.

Na madrugada deste sábado (30), a polícia de Detroit, em Michigan, confirmou a morte de um jovem de 19 anos, durante um tiroteio na região das manifestações. Entre as regiões que foram tomadas pelos manifestantes até agora, estão locais estratégicos de Washington e Nova York, além de duas das maiores cidades da Califórnia, como Los Angeles e São Francisco. Ao todo, neste momento, as manifestações se estendem por 17 estados americanos.

O governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou que a situação no estado continua "incrivelmente perigosa" durante uma entrevista coletiva nesta madrugada. A capital Mineápolis, onde cerca de 50 pessoas foram presas durante a madrugada, ainda é considerada o epicentro dos protestos. Mesmo após decretado um toque de recolher, manifestantes permanecem nas ruas enfrentando tropas policiais e ateando fogo a carros e edifícios.

No início da noite de sexta-feira (29), a polícia de Washington precisou formar um cerco de proteção à Casa Branca. O perímetro foi fechado depois que os manifestantes se aproximarem da Pennsylvania Avenue, onde fica a sede do governo. Agentes do serviço secreto não estão permitindo a entrada nem a saída do local. A CNN procurou o Serviço Secreto dos Estados Unidos, que ainda não se manifestou.

Tropas nas ruas

Em Atlanta, na Georgia, uma tropa com cerca de 500 soldados da Guarda Nacional foi acionada para patrulhar as ruas. O governador do estado, Brian Kemp, declarou estado de emergência para o condado de Fulton, devido ao avanço dos protestos na capital.

Em Mineápolis, epicentro das manifestações, o departamento de segurança pública enviou tropas com mais de 2.500 soldados para "limpar a área" e aplicar o toque de recolher. A medida foi tomada para conter manifestantes que ignoram as ordens da polícia e das autoridades locais de voltar para suas casas.

Durante uma coletiva de imprensa, o comissário do departamento de segurança pública de Minnesota, John Harrington, disse que esta é "uma das maiores forças policiais civis que o estado" já viu. Ainda assim, o número não é suficiente para conter os manifestantes, que permaneceram nas ruas durante toda a madrugada deste sábado (30).

De acordo com Harrington, foi feito um pedido para a Guarda Nacional aumentar substancialmente o número de oficiais na região. O major-general Jon Jensen, da Guarda Nacional de Minnesota, disse que, ao todo, deve disponibilizar mais de 1.700 oficiais até domingo (31).

Mais cedo, autoridades locais afirmaram que tiros foram disparados contra policiais de Mineápolis, mas que nenhum oficial foi ferido. Várias pessoas foram detidas até agora. Enquanto isso, balas de borracha e gás lacrimogêneo foram usados pela polícia para tentar dispersar a multidão.

Mais cedo, o governador do estado, Tim Walz, decretou toque de recolher a partir das 20h da noite nas cidades de Minneapolis e Saint Paul. "Esse é o momento de reconstruirmos a nossa comunidade e isso começa com a segurança nas nossas ruas", disse Walz.

"Milhares de cidadãos expressaram seu luto e frustração de uma maneira pacífica. Mas ações ilegais e perigosas de alguns, encobertas pela escuridão, causaram danos irreversíveis e prejuízos para a nossa comunidade", completou.

Em Los Angeles, a polícia local disse que os manifestantes que desobedecerem a ordem e permanecerem nas ruas serão presos. "Declaramos uma assembléia ilegal em todo o centro de Los Angeles. Essa decisão está sendo tomada após atos recorrentes de violência e danos à propriedade. Os cidadãos devem ficar em casa", disse a polícia de Los Angeles em comunicado.

No Texas, o prefeito de Houston, Sylvester Turner, usou suas redes sociais para pedir o fim dos protestos, na noite de sexta-feira (29). "Para a segurança de todos, estou pedindo que voltem para casa", twittou Turner. Autoridades municipais mandaram fechar todos os acesso ao centro da cidade.

Imprensa

Entre os ataques, manifestantes arremessaram bombas, tijolos e estilhaços de vidro na sede da CNN, em Atlanta. A fachada do edifício também foi pichada e uma bandeira dos Estados Unidos foi queimada em frente ao prédio. Uma barricada tentava conter a invasão à emissora americana. Ainda em frente à sede principal, os manifestantes exibiram placas com a mensagem #BlackLivesMatter ("vidas negras importam", em português).

Durante uma transmissão ao vivo dos protestos na cidade de Mineápolis, Omar Jimenez, um repórter da CNN, negro e latino, foi detido pela polícia, mesmo após se identificar como jornalista. O produtor Bill Kirkos e o fotógrafo Leonel Mendez, membros da equipe de Jimenez, também foram presos. O jornalista Josh Campbell, que é branco e estava no local, chegou a ser abordado, mas, diferente de Jimenez, não foi levado para a delegacia. Cerca de meia-hora depois, todos foram soltos.

Uma equipe de reportagem da Wave, afiliada da CNN, estava transmitindo ao vivo de Louisville, Kentucky, na noite desta sexta-feira (29), quando foi atingida por balas de pimenta arremessadas por policiais. "Acho que estávamos atrás da linha de combate deles, talvez um pouco perto demais", disse a repórter da Wave, Kaitlin Rust.


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