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O presidente do Conselho Regional de Medicina, dr. Marcos Limas, em entrevista ao Portal Mossoró Hoje defendeu o isolamento social e cautela no uso da Hidroxicloroquina nos pacientes com coronavirus.

Marcos Lima inicia a entrevista já ressaltando a importância de seguir as orientações das autoridades sanitárias, em especial sobre a questão do isolamento social e medidas para não transmitir a doença e não se contaminar.

É importante se dizer que o isolamento social não é uma técnica única de combate a coronavirus aplicada no mundo. Cada região usa sua estratégia de isolamento social com as condições que dispõe.

O isolamento total só é recomendado, segundo Marcos Lima, apenas quando ocorrer um risco de colapso total da saúde, como é o caso do Rio Grande do Note. Observa que o sistema no RN já é sobrecarregado.

Sobre o uso de medicação, Marcos Lima disse:

“Tem que ter cuidado, pois existe efeitos colaterais e, as vezes, trazem mais problemas do que a própria doença. Uso da medicação deve ser de forma compassiva no paciente que está internado, monitorado, numa situação moderadamente grave, principalmente numa situação grave, é diferente de você, por exemplo, utilizar num paciente ainda numa fase leve.  Porque existe os efeitos colaterais e a gente precisa pesar, medir bem na hora de fazer este tipo de prescrição. Por outro lado, é importante a gente, como já falei, a gente ainda tem muito o que apreender com esta pandemia, e pode ser isto que eu falei hoje, daqui há uma semana seja comprovado de que realmente vale nos casos leves, que o grau de efeitos colaterais são mínimos e que vale a pena utilizar em casos leves. Então, estamos numa situação que qualquer afirmativa pode deixar de existir no momento seguinte.  É importante que neste momento a gente saiba que existe possibilidade de terapêuticas, mas que elas precisam ser melhores testas e evidenciadas...”

Marcos Lima disse que a principal recomendação do Conselho Regional de Medicina, inclusive seguindo o mesmo que fez a Anvisa, é afastar do trabalho aqueles servidores que tem mais de 60 anos ou que tem alguma doença que possa se agravar com a infecção do covid-19. “Precisamos ter este cuidado”, destaca o médico neurologista.

Marcos Lima destacou que é preciso proteger os profissionais de saúde. Acrescentou que foi criado uma ferramenta de comunicação dentro do site do CRM, que possibilita que o médico possa denunciar falta de condições de trabalho em suas regiões. Com esta informação, o CRM busca resolver conversando com os gestores. Não havendo jeito, aciona a Justiça.

O CRM-RN, inclusive, nos últimos 5 anos tem desenvolvido ações judiciais que resultou em grandes benefícios a sociedade. Destaca-se o Hospital Maternidade Almeida Castro, em Mossoró, que estava fechado e hoje funciona bem com quase 200 leitos, fazendo uma média de 20 partos ao dia. “É o maior maternidade do Estado, com ótimos profissionais”, destaca Marcos Lima.

Além da Maternidade Almeida Castro, Marcos Lima lembra que o CRN-RN acionou a Justiça também para se ter leitos de UTI adulto em Mossoró, Pau dos Ferros, Caicó e Natal. Em Mossoró, semana passada foi aberto 10 leitos de 20, que é objeto de processo na Justiça Federal contra o Estado para agilizar a abertura desta importante ferramenta de saúde.

“O nosso desafio é transformar os relatórios CRM/RN em feitos práticos em prol dos médicos e da sociedade em si. Este tem sido nosso desafio. Não havendo um acordo via administrativa e aí procuramos o Poder Judiciário. O objetivo é melhorar o benefício a saciedade como um todo”, diz.

Sobre o Sistema Único de Saúde, Marcos Lima destaca que é preciso ter o SUS forte e também o serviço privado forte. Em especial, durante uma pandemia do porte desde de agora, Marcos Lima disse que mostra realmente a importância do SUS para se ter o atendimento facilitado ao cidadão, e qualquer camada da sociedade.

Quando perguntado se vai acontecer no Brasil o que está acontecendo nos EUA, Itália e Espanha, Marcos Lima falou que estes países tem muitos tabagistas e que é população idosa é muita alta em relação ao Brasil. Falou que esperava transmissão menor no Brasil devido as questões climáticas e por por haver antecipação com ações de barramento da doença, mas que infelizmente está acontecendo semelhante ao que aconteceu em países frios. Isto o faz temer que aconteça o pior, ou seja, o sistema de saúde não suportar a demanda de atendimento, ocasionando em mortes.

Sobre a declaração do secretário Cipriano Correia de que pode ter até 11 mil mortes, ele vê como uma estratégica e diz que “foi bastante assustador e alarmante para todos nós. A população avaliou que foi alarmante demais. O objetivo foi alertar a população para ficar no isolamento social. O alarme foi acima do esperado”, considera.

Mossoró Hoje


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